domingo, 20 de abril de 2014

E pra onde foi tanto querer?
Não foi,permaneceu...
Permanece
Fica ali na espreita do primeiro suspiro errado.
O suspiro desajeitado da respiração ofegante.
O querer não esgota,ele modifica rumo.
As vezes até desemboca no querer antigo.
Com ar novo.
Com gosto novo.
Um querer reencontrado é bom no céu da boca.
A SALIVA AGRADECE.
O corpo pulsa...
O céu da boca ganha mel.
Já provado,lambuzado.
E pra onde foi o querer?
Nunca saiu de dentro de mim.

Marcela Cabral

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Os sinais são claros de solidão.
Chocolate e leite e alguns pensamentos soltos.
Não gosto dessa palavra,não me sinto só.
Sinto me ocupada na companhia de alguém conheço bem; eu.
Mas o fator é que sampa é cinza...
Não quero mais isso aqui não.
Onde todos estão saturados de tudo,e nem percebem.

sábado, 5 de abril de 2014

Laroye ao filho de Exú

Nego de olhar azeviche...
Guiado pelo senhor das encruzilhadas.
Laroye!
Da fala mansa e carinhosa.
Sotaque arrastado,jeito dengoso safado.
Apreciador da noite e da farra.
Lábia fácil...
Fácil...
Quando recordo do teu olhar,o corpo adormece...
Arrepia.
Ah o afago nos cachos!
Não foi assim a despedida nossa.
Que despedida?!
O tempo que foi,foi o JUSTO.
Permanece o tempo que tem que estar.
SIMPLESMENTE ESTEVE...
Nego do olhar azeviche, que teu pai te guie.
Laroye!!


Mar Santiago

5/04/2014

terça-feira, 1 de abril de 2014

Então acabou...
É isso?
É...
Sabe aquela sensação de que sabia o que aconteceria.
Sim intuição feminina é pior que picada de cobra.
Mais certeira impossível.
E o nego do sotaque arrastado vai,assim como veio do nada.
Sem pedir licença,sua missão era fazer com o que o corpo da nega sentisse outras mãos.
Sentiu,Viveu...
Gozou e foi-se.
Sim mais um.
Dói?
Um pouco só quando penso de forma latente.
Mas já estava vacilando em ir embora de sampa.
Ainda bem que aconteceu isso.
Assim no seco.
Assim...
Mas eu estava sentindo que isso iria acontecer sabe.
Mais uma e eu tenho que bancar a forte como sempre.
Se levanta nega,ninguém vai recolher.
Ninguém!!

sexta-feira, 21 de março de 2014

Pedra,Papel e Tesoura; o que você quer?
Pedra,Papel e Tesoura; o que você quer?
Eu quero descansar e não ter que fazer escolhas.
Isso que desejo.
Ser liquida,tranquila o dia todo.
Não apenas horas.
Pedra,Papel e Tesoura; o que deseja ser dos três?
Não desejo nada,não mais.
Não nessa terra.
Não nesse cinza.
Nessa cidade de relações frívolas e volúveis.
Que ninguém repara quando você grita.
Dengo de um dia.
Quero não.
NÃO QUERO AMORES TEMPORÁRIOS.
QUERO AMORES INTEIROS.
PARA QUE MESMO QUANDO PASSE, EU OS AINDA TENHA.
ESCOLHO O PAPEL POIS É MUTÁVEL.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Quando falo, é do teu falo que estou a falar.
Da saudade do corpo em mesma cor.
Cabelo com a textura parecida com o meu, e olhos negros.
Tu me adentra pelo olhos.
Com o beijo no cangote a carícia nos cachos.
O sorriso e do dizer: Estou com saudades!
Na mão um sonho de valsa, e um abraço apertado que me tira do chão.
Estação República, 21:17.
Estação República, 21:28.
Esse foi o tempo que durou o abraço apertado.
As mãos não andam de mãos dadas.
Mas a gentileza é a mesma.
Tudo povoa minha cabeça.
As dúvidas aparecem,mas não perpetuam.
Ah meu doce amigo....
De sotaque arrastado é bom rir contigo.
Ser brava e doce.
Doce amigo ardente.
Que atravessa as mãos em mim.
E o falo diz tudo.
Por dentro.
Por dentro.


ass: Mar Santiago

terça-feira, 11 de março de 2014

Sinopse











Ensaios Para Ismália é uma releitura da Ismália de Alphonsus de Guimarães, essa mesma persona mas trazendo para os dias atuais. Ismália negra,periférica e pobre. Com a trajetória de ter sido criada no interior e oprimida o tempo todo pelos costumes patriarcais.
No poema original ela fica em dúvida entre a lua e o mar,na releitura a mesma é proibida de sonhar de se emancipar.
De sentir desejos;agredida psicologicamente diariamente por uma sociedade racista que a obriga se encaixar no embranquecer dos padrões da mídia.
Partindo da opressão de sua mãe que a "alinha" seus cabelos oito vezes ao dia , na criação da sua avó que a prepara para ser moça direita e de família.
Com destino pré determinado casar-se e ter filhos,este é único alcance; único mérito válido.
Ser propriedade do marido.
Ser vista apenas como mulata quente entre quatro paredes, Negra como objeto ou mercadoria de posse.
Ismália sonha, vai percebendo na trajetória o quanto precisa se emancipar e romper com as algemas que não são invisíveis ou distante.
O redescobrir de Ismália é loucura diante os olhos alheios.
Mas ela precisa enlouquecer.


"Ela alinhava meu cabelo oito vezes ao dia. Ela,minha mãe.
Dói alinhar é mudar a essência. É mudar minha essência.


A decisão desse poema foi trazer essa loucura poética para o asfalto de sampa.
O cinza da cidade é hóstil, a não aceitação da mulher negra periférica também é.


Dramaturgia: Cleuber Gonçalves e Marcela Cabral. (partindo de colagens do poema de Alphonsus Guimarães/ Ismália)

Olhar provocador: Ronaldo Aguiar.


Atores: Cleuber Gonçalves e Marcela Cabral.

Coletivo Sem Nome.

Figurinos: Cleuber Gonçalves e Caroline Santins.